WALTER ZIMERMANN
Muitas cobras no ninho

Fazendo jus ao próprio nome, a cidade continuará assistindo, além de cascavéis, urutus, jararacas e outras cobras menores digladiarem-se neste grande ninho, onde a menos venenosa pode surpreender, como já aconteceu recentemente

A agitação dos meios políticos nesta época, mais de um ano antes da eleição, pode ser atribuída, em parte, ao prazo fatal (final do mês) relativo às mudanças de siglas entre aqueles que, por interesses vários, não se acham confortáveis onde estão. Contudo, não tenham dúvidas de que, passado o prazo do troca-troca partidário, as discussões em torno de possíveis candidaturas acentuar-se-ão ainda mais.
No caso de Cascavel, salvo uma ou outra surpresa, já é visível a galeria dos postulantes a esse encantador e, por isso, cobiçado cargo de prefeito. A briga é tão grande pela posse daquela cadeira, que fico me perguntando se haveria algo tão mais importante que o salário de prefeito (afinal, nem tão atraente assim) além daquela dose de vaidade à qual todos têm direito, já que ninguém é de ferro.
Onde reside, afinal, o néctar de tão saborosa delícia? Só provando para que se descubra. Ou será que nem é preciso provar? Aqui, na “cidade da cobra”, o ninho está cheio de grandes répteis da política paroquiana. Nada se sabe se o prefeito em exercício pretende tentar a continuidade, mas quanto aos que já provaram o gostinho supostamente delicioso desse poder, existem pelo menos três.
Pelo que se ouviu e pelo que se viu até aqui, Jacy e Salazar estão no páreo para tentar o retorno ao ninho, como grandes cobras que mostraram ser, por meio do voto, no passado. Outro, tentando se desforrar do grande revés sofrido, é Edgar – que, pelo visto, pretende voltar a brincar com o voto de seus eleitores. Vai para a Assembléia, usa o trampolim e volta tentando recuperar a cadeira perdida.
Tolentino diz estar fora e, se derivarmos uma olhada para nossos deputados federais, veremos Frangão sem dar o mínimo sinal de desejo em administrar a cidade que sempre o elege deputado. Ele gosta mesmo é de ser deputado. Amancebou-se com Brasília. Giacobo não parece interessado nessa aventura e, se pensa em ser prefeito, deverá, no futuro, direcionar seu sonho à região da fronteira. Resta saber das intenções de Alfredo Kaefer e Eduardo Sciarra.
Tanto Sciarra quanto Kaefer representariam o novo, o diferente. Entre ambos, salvo engano de nossa parte, dá para apostar mais no primeiro, uma vez que o “rei do frango”, homem de grande visão e articulador de grande experiência, determinado e pragmático, dificilmente abandonaria a multidão de quase 160 mil eleitores que o elegeu, em troca de algo para o qual dispõe de muito tempo.
Quanto aos demais que pipocam pelas esquinas da política, com todo respeito, com certeza suas intenções não devem ir além de um lugar na mídia para conseguir manter-se na vitrine, vendo o tempo passar ao sabor dos ventos, na espera que um cavalo (mesmo magro) lhes ofereça o dorso para montar.
O fato é que, entre “Hienas e Crocodilos”, “Cobras e Lagartos”, que compõem este cenário, as peçonhentas sempre se destacam. Entre “cobras criadas” e já bem conhecidas, cobras novas e cobrinhas que mais parecem minhocas, dá para prever um entrevero do qual participarão répteis de todos os gostos. Vencerá, naturalmente, a que tiver veneno mais letal para destilar sobre as concorrentes.
Fazendo jus ao próprio nome, a cidade continuará assistindo, além de cascavéis, urutus, jararacas e outras cobras menores digladiarem-se neste grande ninho, onde a menos venenosa pode surpreender, como já aconteceu recentemente. Afinal, cobra pequena também pica. Antídoto à mão sempre é bom, caro eleitor.