ALCEU SPERANÇA
Patriotas, ao trabalho!


O que é ser patriota, hoje, no Brasil? É trabalhar. Trabalhar para aprender e aprender para trabalhar. Trabalhar, aprender e ensinar são as mais importantes tarefas cotidianas do patriota moderno. Ser patriota não é pegar em armas e sair dando tiros nos “inimigos”, mas trabalhar pela paz. Não é acenar bandeirinhas em jogos da Seleção, mas trabalhar por um País melhor num mundo melhor.

Ser patriota, para o governante, é abandonar o “palanque” na hora que a eleição termina, tendo a consciência de que agora ele representa a todos e precisa trabalhar por todos, sem egoísmo. Para o religioso, ser patriota é compatibilizar a espiritualidade com o trabalho. Para o empresário, é trabalhar para gerar empregos, pois nas árduas condições da vida moderna ele tem trabalhado muito para o Estado e pouco por sua coletividade de irmãos. Para o trabalhador empregado, é trabalhar pela família e pelo País. Para o desempregado, é trabalhar para encontrar trabalho para si e seus irmãos em iguais condições. Para os jovens, é estudar e se qualificar para o trabalho. Para as crianças, trabalhar é aprender. E aprender para trabalhar.

Neste mundo da injustiça globalizada, como diria o sábio Saramago, está cada vez mais difícil ser patriota, pois o capitalismo, em sua etapa neoliberal, conspira contra o trabalho. O psicanalista Félix Guattari considera “monstruoso” um mundo em que o trabalho seja usado para criar “um pólo de miséria absoluta, de fome, e um pólo de riqueza inacessível”. Contra isso, Chaplin pregava um mundo novo e bom “que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice”.

Frederick Winslow Taylor morreu em 1915, mas deixou como herança uma tenebrosa afirmação: “No passado, o homem vinha em primeiro lugar. No futuro, o sistema deve vir primeiro”. Esse tal Taylor foi o criador do sistema de organização científica do trabalho e do controle do tempo de execução conhecido como taylorismo. Para ele, desumanamente, o homem é descartável. Já vivendo esse tempo de descartes, pois morreu em 1975, nossa sempre querida Hannah Arendt temia “uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, quer dizer, sem a única atividade que lhes cabe. É certo que nada poderia ser pior do que isso”.

Hoje, portanto, ser patriota é trabalhar. Trabalhar pela empregabilidade e gerar empregos. Nesta hora, trabalhar pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. É uma forma de governo, empresários e cada dois patriotas já empregados gerarem um novo emprego para os patriotas jovens e os patriotas demitidos.